Especialista destaca impactos do abandono afetivo, da negligência e da violência psicológica na qualidade de vida dos idosos
O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, chama atenção para uma forma de agressão que muitas vezes ocorre de maneira silenciosa: a violência emocional. Humilhações, ameaças, desvalorização, exclusão social, abandono afetivo e negligência estão entre as situações que podem comprometer significativamente a saúde mental e física das pessoas idosas.
Com o envelhecimento da população brasileira, cresce também a preocupação com fatores que influenciam o bem-estar e a qualidade de vida dessa faixa etária. Além das formas explícitas de violência, o isolamento social é apontado como um dos principais riscos para a saúde emocional dos idosos.
A redução das interações sociais, o afastamento do convívio familiar e a sensação de perda de autonomia estão associados ao surgimento ou agravamento de problemas como ansiedade, depressão, alterações cognitivas e sentimentos persistentes de solidão.
Dados do Disque 100 indicam que cerca de 250 mil denúncias relacionadas a violações de direitos de pessoas idosas foram registradas nos três primeiros meses de 2025. Entre os casos relatados estão situações de negligência, abandono e violência psicológica, fatores que podem afetar a autoestima, o equilíbrio emocional e a qualidade de vida dessa população.
Segundo a geriatra Luciana Louzada Farias, a violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis, mas pode provocar consequências duradouras. De acordo com a especialista, atitudes que diminuem, infantilizam ou desconsideram a pessoa idosa tendem a gerar sofrimento emocional e podem impactar diretamente sua saúde física e mental.
Além dos danos emocionais, o isolamento social está relacionado ao aumento do risco de declínio cognitivo, agravamento de doenças crônicas, perda de funcionalidade e redução da qualidade de vida. A ausência de vínculos sociais também pode dificultar a identificação precoce de problemas de saúde e de situações de violência.
A especialista ressalta que a manutenção de relações familiares, a participação em atividades coletivas e a preservação da autonomia são fatores importantes para a saúde mental durante o envelhecimento.
Mudanças repentinas de comportamento, tristeza persistente, retraimento social, alterações no sono, perda de interesse por atividades habituais e medo excessivo podem ser sinais de sofrimento emocional e merecem atenção de familiares e profissionais de saúde.
Além da identificação precoce dos sinais de violência, especialistas defendem o fortalecimento das redes de apoio, o incentivo à participação social e a construção de ambientes familiares baseados no respeito, no acolhimento e na valorização da pessoa idosa.
A proteção da saúde mental dos idosos passa pelo reconhecimento de sua autonomia, dignidade e participação ativa na sociedade. O enfrentamento da violência emocional e do isolamento social depende da atuação conjunta de famílias, comunidades, instituições e do poder público.
O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa reforça a importância de identificar sinais de violência, ampliar o suporte social e promover condições que garantam respeito, autonomia e qualidade de vida para a população idosa.
Nota Editorial: A saúde mental, os vínculos sociais e a proteção contra a violência são fatores essenciais para o envelhecimento saudável e a longevidade. Promover respeito, autonomia e inclusão contribui para uma melhor qualidade de vida na maturidade.
Fonte: Conteúdo elaborado a partir de informações fornecidas pela Assessoria de Imprensa da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, com edição da redação.
Isolamento e violência emocional afetam a saúde mental da população idosa