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Setembro Amarelo: o tabu não explica sozinho a demora dos homens em buscar ajuda

A dificuldade dos homens em buscar ajuda para problemas de saúde mental costuma ser relacionada a fatores culturais, como a ideia de que demonstrar sofrimento ou pedir ajuda seria sinal de fraqueza. Embora esse aspecto seja relevante, outros obstáculos concretos também podem influenciar o tempo entre perceber que algo não vai bem e procurar atendimento.

Dados do Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que os homens representam a maioria das mortes por suicídio no Brasil. No estado de São Paulo, os homens correspondem a aproximadamente 78,8% dos registros de suicídio, segundo dados apresentados no levantamento.

A diferença também aparece nas taxas nacionais. Dados citados pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) apontam uma taxa de mortalidade por suicídio maior entre homens do que entre mulheres. Os números precisam ser analisados considerando fatores sociais, culturais, econômicos e de acesso aos serviços de saúde.

Além das questões culturais relacionadas à masculinidade, o acesso ao cuidado pode envolver dificuldades financeiras, disponibilidade de horários e receio de exposição. Para algumas pessoas, conciliar consultas com a jornada de trabalho ou encontrar atendimento compatível com a renda pode representar uma barreira adicional.

Segundo Caroline Macarini, psicóloga e cofundadora da plataforma Unolife, homens nem sempre chegam ao atendimento relatando diretamente sofrimento emocional. A procura pode ocorrer a partir de manifestações como insônia, irritabilidade, alterações gastrointestinais ou dificuldades nos relacionamentos.

“O homem raramente marca uma consulta dizendo que está mal. Ele marca porque não dorme há três semanas, porque explodiu com o filho, porque o estômago parou de funcionar.”

A relação entre trabalho e saúde mental também ganhou maior atenção nos últimos anos. No Brasil, a atualização da NR-1 passou a incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, ampliando a responsabilidade das organizações na identificação e prevenção de fatores relacionados à organização do trabalho que possam afetar a saúde dos trabalhadores.

Nesse contexto, especialistas ressaltam a importância de preservar a confidencialidade do atendimento. Programas de saúde mental oferecidos pelas empresas podem acompanhar indicadores de utilização de forma agregada, mas informações individuais sobre quem buscou atendimento ou sobre o conteúdo das consultas devem ser protegidas de acordo com as regras de sigilo profissional e de proteção de dados.

O Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio, amplia durante o mês de setembro o debate sobre sofrimento psíquico e busca de ajuda. A discussão, entretanto, não se limita ao período da campanha.

Para Caroline Macarini, a oferta de cuidado precisa estar disponível de forma contínua.

“Ninguém adoece em setembro e melhora em outubro. Enquanto pedir ajuda continuar custando caro, exigindo explicação e expondo quem procura, o homem vai continuar adiando.”

Em situações de sofrimento intenso ou risco de suicídio, a orientação é procurar atendimento profissional. No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia.

Fontes: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Fórum Brasileiro de Segurança Pública; Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP); Ministério do Trabalho e Emprego/NR-1; Ministério da Saúde. Declarações e informações sobre a plataforma: assessoria de imprensa da Unolife.

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