PGR LONGEVIDADE

Projeto Gerontológico de Referência em Saúde e Envelhecimento Saudável

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Solidão na velhice não depende apenas de estar sozinho

Estar acompanhado nem sempre significa estar conectado. No envelhecimento, essa diferença pode ser importante para compreender situações de solidão que não aparecem necessariamente como isolamento físico. Uma pessoa pode viver sozinha e manter relações significativas, enquanto outra, cercada de familiares, pode experimentar falta de conexão, pertencimento e troca.

A rotina das famílias também mudou. Filhos adultos conciliam trabalho, filhos, relacionamentos e responsabilidades domésticas, enquanto seus pais vivem mais e podem continuar necessitando de companhia e apoio. É nesse contexto que aparece o conceito de “geração sanduíche”, usado para descrever adultos que precisam conciliar responsabilidades com os próprios filhos e, ao mesmo tempo, acompanhar pais que estão envelhecendo.

Para a psicóloga e gerontóloga Candice Pomi, essa realidade pode reduzir os momentos de convivência entre as gerações. “Os filhos nem sempre têm tempo de levar os pais ao médico, de acompanhá-los nas questões do dia a dia ou de estar com eles como gostariam”, afirma.

Estar junto não é necessariamente estar presente

Além da falta de tempo, existe outra questão: a qualidade da atenção durante os encontros. Celulares e outros dispositivos passaram a fazer parte das situações cotidianas de convivência, inclusive durante refeições, visitas e reuniões familiares.

Assim, pessoas podem compartilhar o mesmo espaço enquanto mantêm a atenção voltada para mensagens, redes sociais e outras atividades digitais.

“Presença não é necessariamente conexão”, resume Candice.

A diferença entre solidão e solitude ajuda a compreender essa questão. Solitude é a possibilidade de estar consigo mesmo de maneira satisfatória, seja para descansar, refletir ou simplesmente desfrutar de um período de silêncio. Não significa necessariamente ausência de vínculos.

A solidão, por outro lado, está relacionada à percepção de desconexão ou à falta de relações que proporcionem pertencimento, intimidade e troca. Por isso, não pode ser identificada apenas pela quantidade de pessoas que estão fisicamente próximas.

A geração sanduíche

O aumento da longevidade também modifica a relação entre as gerações. Filhos podem passar mais anos convivendo com pais idosos, ao mesmo tempo em que precisam administrar as demandas de suas próprias famílias.

Essa situação pode produzir sentimentos de culpa de ambos os lados. Os filhos podem considerar que não conseguem oferecer atenção suficiente, enquanto os pais podem interpretar a ausência como falta de interesse ou de importância.

“Essa pessoa vive uma relação de geração sanduíche. Ela tem que cuidar dos filhos, enquanto os pais vivem mais e continuam precisando dela”, explica Candice.

Nesse contexto, a qualidade da convivência pode ser mais importante do que simplesmente contabilizar quantas vezes uma visita aconteceu. Conversar, compartilhar experiências, ouvir preocupações, lembrar histórias, rir ou simplesmente dedicar atenção são formas de estabelecer vínculos que não podem ser avaliadas apenas pelo número de encontros.

Solidão não significa necessariamente isolamento

Também é importante diferenciar a escolha de ficar sozinho de uma situação de isolamento indesejado. Ter momentos de solitude, permanecer em casa ou desfrutar da própria companhia pode fazer parte de uma experiência saudável em qualquer idade.

O sinal de atenção aparece quando o isolamento não é desejado, quando a pessoa gostaria de estabelecer relações e não consegue ou quando começa a abandonar atividades e vínculos que anteriormente eram importantes.

Por isso, observar apenas se uma pessoa recebe visitas pode não ser suficiente. É necessário compreender como ela está vivendo suas relações e se existe espaço para expressar sentimentos, compartilhar experiências e participar de atividades que tenham significado.

Conexão entre gerações

A discussão sobre solidão na velhice também envolve a maneira como diferentes gerações constroem suas relações. A presença física continua sendo importante, mas pode ganhar outro significado quando acompanhada de disponibilidade e atenção.

Uma visita mais curta, mas com conversa e escuta, pode proporcionar uma experiência de conexão diferente de um período prolongado de convivência em que cada pessoa permanece concentrada em uma tela.

Para Candice, a questão não deve ser transformar a presença dos familiares em uma obrigação, mas encontrar maneiras possíveis de manter vínculos dentro da realidade de cada geração.

Em uma sociedade que envelhece, compreender a solidão exige, portanto, olhar para além da ausência física. A questão envolve também pertencimento, escuta, autonomia e qualidade das relações.

Envelhecer acompanhado não significa necessariamente estar cercado de pessoas o tempo todo. Significa também ter vínculos nos quais seja possível conversar, compartilhar experiências, fazer escolhas, ser ouvido e continuar reconhecido como parte da vida de outras pessoas.

Fonte: informações e declarações da psicóloga e gerontóloga Candice Pomi, fornecidas pela assessoria de imprensa. Para conceitos sobre solidão e envelhecimento, recomenda-se também a consulta a publicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de instituições científicas da área de gerontologia.

 

Solidão na velhice não depende apenas de estar sozinho

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