O aumento da longevidade está modificando a estrutura da população brasileira e trazendo novos desafios para a forma como as pessoas vivem, trabalham e participam da sociedade. Entre as questões que acompanham essa transformação estão não apenas saúde e previdência, mas também moradia, mobilidade, espaços urbanos e convivência comunitária.
Esse será um dos temas discutidos durante o 8º Fórum & Festival Longevidade, realizado de 24 a 26 de setembro, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Entre os participantes está Daline Moura Hällbom, que abordará a relação entre longevidade, moradia e vida em comunidade.
O debate ocorre em um cenário de rápido envelhecimento populacional. Segundo as projeções mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 e poderá chegar a aproximadamente 37,8% da população em 2070.
Esse processo significa que o envelhecimento deixará de ser uma questão restrita a políticas específicas para a população idosa e terá impacto crescente sobre diferentes áreas da sociedade. As projeções do IBGE, atualizadas a partir dos dados do Censo 2022, abrangem o período até 2070 e consideram fatores como fecundidade, mortalidade e migração.
Moradia além do espaço físico
A discussão sobre longevidade também envolve o local onde as pessoas vivem. Uma casa ou apartamento pode atender às necessidades de uma determinada fase da vida e deixar de ser adequado conforme mudam a idade, a mobilidade, a composição familiar e as relações sociais.
Nesse contexto, pensar em moradia para uma população que viverá mais tempo envolve questões como acessibilidade, autonomia, segurança, convivência e proximidade de serviços. O planejamento urbano também passa a ter papel importante, considerando deslocamento, acesso a equipamentos públicos, comércio, cultura, lazer e espaços de convivência.
Para Daline Hällbom, a discussão sobre longevidade precisa considerar as diferentes formas de viver depois dos 60 anos. O envelhecimento pode envolver trabalho, aprendizado, novos relacionamentos, viagens, empreendedorismo e participação social, e não apenas necessidades relacionadas ao cuidado.
A perspectiva também questiona a ideia de que envelhecer significa necessariamente se afastar da vida comunitária. A possibilidade de permanecer ativo e conectado depende, entre outros fatores, das condições oferecidas pelos ambientes em que as pessoas vivem.
Cidades preparadas para diferentes idades
O envelhecimento populacional também coloca em discussão o planejamento das cidades. Calçadas, transporte, espaços públicos, moradia e acesso a serviços podem favorecer ou dificultar a autonomia das pessoas à medida que envelhecem.
A questão envolve ainda a convivência entre diferentes gerações. Em vez de criar espaços exclusivamente destinados às pessoas mais velhas, uma das propostas discutidas no campo da longevidade é pensar em ambientes que possam ser utilizados por pessoas de diferentes idades e condições.
A experiência internacional, especialmente de países que já enfrentam processos mais avançados de envelhecimento, pode contribuir para esse debate. No entanto, soluções precisam considerar também as características sociais, econômicas e culturais de cada país.
Uma discussão que envolve toda a sociedade
A longevidade não diz respeito somente à população que já chegou aos 60 anos. A maneira como as pessoas morarão e participarão da sociedade nas próximas décadas também dependerá das escolhas feitas atualmente em relação ao planejamento urbano, às políticas públicas e às formas de organização das comunidades.
O envelhecimento demográfico brasileiro, portanto, amplia uma discussão que vai além da assistência e dos cuidados. Trata-se também de pensar em como criar condições para que uma população que viverá mais tempo possa manter autonomia, vínculos sociais, participação e qualidade de vida.
Serviço
8º Fórum & Festival Longevidade
Data: 24 a 26 de setembro de 2026
Local: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera, São Paulo – SP
Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Projeções da População – Revisão 2024; informações sobre a participação de Daline Moura Hällbom e o conteúdo do painel: assessoria de imprensa do evento/Söderhem.