O aumento da expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV foi um dos principais temas discutidos durante o 7º InfectoTchê, realizado nos dias 22 e 23 de maio, em Porto Alegre (RS). O evento, promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), reuniu infectologistas e especialistas em saúde do adulto e do idoso para debater como o envelhecimento tem modificado o acompanhamento clínico dessa população.
O avanço da terapia antirretroviral, popularmente conhecida como “coquetel”, transformou profundamente a história natural do HIV. Atualmente, o tratamento é geralmente simplificado, com uso diário de um ou poucos comprimidos, amplamente disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quando iniciado precocemente e seguido de forma adequada, esse tratamento permite que muitas pessoas vivendo com HIV tenham expectativa de vida semelhante à da população geral.
Segundo especialistas presentes no evento, essa mudança de cenário exige uma nova abordagem clínica. As pessoas vivendo com HIV já não apresentam, na maioria dos casos, mortalidade diretamente relacionada à infecção, mas passam a enfrentar doenças crônicas associadas ao envelhecimento, como doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e acidente vascular cerebral. Em alguns casos, essas condições podem ocorrer com maior frequência, exigindo acompanhamento multidisciplinar e contínuo.
Durante as discussões científicas, foram abordados temas como fragilidade, alterações renais, osteopenia, osteoporose e comorbidades metabólicas, incluindo diabetes e dislipidemias. Esses fatores, associados ao envelhecimento e, em alguns casos, ao uso prolongado de medicamentos antirretrovirais, podem impactar diretamente a qualidade de vida.
Outro ponto destacado foi a importância das mudanças no estilo de vida como parte essencial do cuidado em saúde. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e cessação do tabagismo foram reforçadas como estratégias fundamentais para reduzir riscos e promover melhores desfechos clínicos ao longo do envelhecimento.
Também foi discutida a necessidade de adaptação dos sistemas de saúde para o envelhecimento dessa população. Segundo especialistas, ainda existem desafios importantes relacionados à acessibilidade, diagnóstico precoce de fragilidade e ampliação do acesso a exames e tratamentos. A necessidade de sistemas de saúde mais integrados e proativos foi amplamente destacada, considerando não apenas pessoas vivendo com HIV, mas toda a população que envelhece.
O 7º InfectoTchê reuniu painéis clínicos, simpósios satélites, discussão de casos e debates sobre os principais desafios contemporâneos da infectologia, reforçando a importância da integração entre conhecimento científico e prática clínica no cuidado em saúde.
Fonte: Cobertura interpretativa baseada em discussão científica apresentada no 7º InfectoTchê, promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia, com apoio da Associação Médica do Rio Grande do Sul.